Leonardo Lazzarotto
Na nossa cultura popular existem combinações perfeitas e, muitas vezes, uma não vive sem a outra, do arroz com feijão, do queijo com goiabada, do Chitãozinho com Xororó e até, no futebol, o clássico Grenal.
No mundo do consumo de mídia, também temos combinações perfeitas e, uma delas, é o rádio com o celular.
O rádio sempre foi mobile, acompanhava a geração dos anos 50 ao pé do ouvido nos estádios de futebol, nos anos 80 virou febre nos walkmans e, em 2000, com o senso estético de Steve Jobs e o design da apple, o ipod veio para dar mais charme e solidificar o comportamento do consumo de áudio em movimento.
Em pesquisa recente do Kantar IBOPE Media, 78% dos brasileiros ouvem rádio. Desses, 3 em cada 5 escutam rádio todos os dias e passam 4 horas e 41 minutos diariamente consumindo o meio. O aparelho ainda tem a maior participação, pois 81% consome o meio através do modelo tradicional, que inclui o rádio do carro, 3% ouvem pelo computador, 4 % em outros equipamentos, mas o futuro está no celular, hoje com 23% de share.
Os celulares de ontem, são os smartphones de hoje, computadores na palma da mão com recursos para fotografar, acessar e-mails, bancos, redes sociais, documentos e até fazer uma ligação se necessário.
Pesquisa da FGV aponta que mais de 1 por habitante no Brasil tem smartphone. Ao todo, são 234 milhões de smartphones.
Essa revolução tecnológica possibilitou mais acesso e consequentemente mais consumo de dados, mas o se o rádio é de graça, por que eu teria que gastar meu pacote de dados para ouvir a minha emissora favorita? No Brasil ainda temos 113,5 milhões de celulares pré-pagos.
Em maio deste ano, o Ministério das Comunicações assinou uma portaria sobre FM nos celulares, um desejo antigo do setor de radiodifusão. Cerca de 90% dos celulares do Brasil tem rádio, mas em grande parte deles o recurso não está ativado, com a portaria, o sinal liberado no celular vai chegar em quem vive nas zonas mais remotas, sem necessidade de conexão ou consumo da franquia de dados.
Vale lembrar que somos um país com dimensões continentais e o acesso à banda larga no Brasil ainda está longe de se tornar realidade. Uma pesquisa do PNAD (pesquisa nacional por amostragem de domicílios), cerca da metade da população brasileira possui acesso à internet e desigualdade digital é grande. A União Internacional de Telecomunicações (UIT) mostra que o Brasil está em 74 posição no ranking mundial de conectividade.
Essa regulamentação ficará a cargo da Anatel, mas irá assegurar a recepção FM nos smartphones como já acontecem em vários outros países e, faz com que o rádio continue sendo o meio mais rápido e próximo da população brasileira.
Se é bom para ouvinte, é bom para emissora, é bom para o anunciante. Agora, o Seu Farias, lá de Santana do Livramento, na Campanha gaúcha, vai poder ouvir o Grenal, no seu smartphone, sem gastar seu pacote de dados.
Leonardo Lazzarotto é CEO da Tailor Media, inteligência de mídia especializada em regionalizar campanhas nacionais.